Archive for Maio 2012

O sonho colorado com Nilmar e Damião, esquemas prováveis.


Neste segundo semestre o Inter pode montar um verdadeiro esquadrão ofensivo. Caso o colorado confirme Nilmar como seu novo reforço e mantendo Leandro Damião não tenho duvidas que este seja o melhor ataque do Brasil. De tantas opções fica difícil, ou fácil, montar o time colorado. O certo é adequar algum esquema aos jogadores e não ao contrario.

Uma das grandes preocupações, não somente do futuro, mas de hoje é a defesa colorada. De nada adianta contratar um grande atacante se a defesa continua desamparada e o calcanhar de Aquiles colorado. Caso Nilmar desembarque no Salgado Filho o esquema proposto pode ser ofensivo por demais, não que seja ruim, mas a marcação precisa mudar. Hoje a marcação não vem do ataque, salvo raras exceções.

Nilmar começou sua carreira como atacante de movimentação. Com o passar do tempo acabou se tornando um centroavante velocista. O atacante diz não ter perdido o cacoete de jogar ao lado de um centroavante, Nilmar declarou que no Villarreal atuou como atacante de movimentação e centroavante. Caso Leandro Damião fique, Nilmar atuaria com maior movimentação. Se Damião sair, Nilmar pode ser o centroavante.

A cria pode voltar ao seu lar. Caso se confirme o Inter pode estar unindo um dos maiores times. Poucos se dão ao luxo de contar com: Oscar, D’Alessandro, Nilmar e Damião. É um quarteto de luxo.

 Não entrarei no mérito de como pagar os 10 a 15 milhões de euros. As parcerias e empresários estariam dispostos a conversar.

4-2-3-1 atual

Diagrama tático. 4-2-3-1 com "pequena" mudança, sai Dagoberto, entre Nilmar.

Atual base do time colorado seria mantida, apenas uma “pequena” mudança, sai Dagoberto e entra Nilmar na ponta esquerda. O estilo da equipe seguiria o mesmo, a forte rotação no meio campo é um dos pontos fortes da equipe e deve continuar. Nilmar deveria atuar em velocidade e fazendo diagonais.

Provavelmente o Inter seguiria o mesmo até na recomposição. Nilmar atuando menos defensivamente e Oscar compensando e se doando mais ao setor defensivo. O tripé ofensivo, D’Alessandro, Nilmar e Damião estariam postados à frente para o contra-ataque fulminante.

Não se compara individualidades. Dagoberto não se habituou a jogar como winger na esquerda, rendeu melhor pelo centro. O mesmo pode acontecer com Nilmar, porém, o atacante formado pelo Inter é mais incisivo e objetivo, envereda para o centro com maior facilidade. Acredito em Nilmar nesta posição ate por jogar com pé trocado – destro na direita – e por ter vitoria pessoal, jogaria mais perto da área e consequentemente próximo a Leandro Damião.

4-2-3-1 com Oscar de “volante”

Diagrama tático. 4-2-3-1 colorado com Oscar de meia-central e Nilmar na ponta esquerda.

Com este 4-2-3-1 o Inter atuaria mais ofensivo. Dependeria muito da contribuição de seus homens de ataque para transição defensiva, não basta ficar olhando.

Este esquema seria para acomodar os principais jogadores com vocação ofensiva do grupo colorado. Nilmar na ponta esquerda enveredando para o centro e Dagoberto na direita buscando o jogo pelo flanco e centro. Troca de posição entre os pontas seria de extrema necessidade.

D’Alessandro e Damião completariam o quarteto ofensivo com muita movimentação: o meia colorado é dinâmico na articulação e tem boa chegada à frente. Já o camisa nove sabe sair da área, abrir espaços, criar pelos lados.

Para descrever Oscar, faço das palavras de André Rocha do blog Olho Tático as minhas: “Oscar pode ser adaptado como um autêntico meia central, marcando e jogando como Schweinsteiger, Xavi, Yaya Touré – sem comparações técnicas, obviamente. O jovem meio-campista já cumpriu função semelhante na seleção brasileira sub-20 no Mundial do ano passado. Guiñazu completaria o setor, mas não como um volante essencialmente marcador, saindo também para o apoio, revezando com Oscar. Assim como Nei e Kléber nas laterais.”.

4-4-2 losango

Diagrama tático. 4-4-2 losango com Oscar e Guiñazu recuando na transição defensiva e Nilmar ao lado de Damião.

Esquema semelhante ao proposto acima, pois Oscar seria novamente um meia central, saindo para o jogo e voltando para recompor o meio campo. Guiñazu atuaria pela esquerda, não com a mesma desenvoltura que Oscar, mas liberando Kléber/Fabricio para o forte apoio na esquerda. Sandro Silva seria o primeiro volante, cabeça de área, marcando forte e dando qualidade a saída de bola.

D’Alessandro atuaria da mesma forma que hoje. Ao melhor estilo enganche, ligaria o meio campo ao ataque. Dos seus pés sairiam as principais jogadas de gol. Para este esquema não ficar sobrecarregado pelos flancos, sua movimentação é de suma importância.

Nilmar e Leandro Damião formariam dupla de ataque. Nilmar o atacante de movimentação, cairia pelos lados do campo onde a jogada estaria sendo tramada. Leandro Damião teria um companheiro no ataque, isto já o auxilia, pois zagueiros teriam alguém mais com quem se preocupar. No mais faria tudo que faz hoje, pivô, corpo-a-corpo com zagueiros e gols.

Provavelmente o time ficaria pendendo para direita, pois nela se encontra Nei e Oscar. Para isto, Kléber teria maior liberdade de ir à frente e Nilmar auxiliaria este setor com maior afinco.

4-2-2-2 padrão

Diagrama tático. 4-2-2-2 brasileiro com Nilmar na movimentação.

Porque padrão? Este de fato é o esquema mais brasileiro já visto. Jogo articulado pelo centro, dependente dos meias, volantes trabalhando apenas defensivamente e dois atacantes a frente, um de movimentação outro na referencia.

Volantes Guiñazu e Sandro Silva dificilmente iriam à frente, pois os meias estariam na mesma faixa de campo. A dupla seria de suma importância para dar subsídio ofensivo aos meias e ao lateral apoiador.

D’Alessandro e Oscar atuando lado a lado, de pés certos – destro na direita e canhoto na esquerda. A forma que iriam jogar é um enigma, poderia ser entre si ou tramando junto aos laterais. Recomposição defensiva ainda poderia ter um toque de Falcão, ou seja: Inter defendo em duas linhas de quatro, para isto, basta os meias abrirem pelos flancos e bloquear o apoio do lateral.

Ataque seria igual ao proposto no 4-4-2 losango: “Nilmar e Leandro Damião formariam dupla de ataque. Nilmar o atacante de movimentação, cairia pelos lados do campo onde a jogada estaria sendo tramada. Leandro Damião teria um companheiro no ataque, isto já o auxilia, pois zagueiros teriam alguém mais com quem se preocupar. No mais faria tudo que faz hoje, pivô, corpo-a-corpo com zagueiros e gols.”.

4-3-3 utópico?

Diagrama tático. 4-3-3 com Oscar de box-to-box.

Pode ser considerada loucura o desenho deste meio campo e ataque, mas como bom atacante que sou não deixarei passar um esquema a lá anos 70. O que me inspirou? Claro, a seleção da Holanda de 74. Os atuais times europeus e sul-americanos Barcelona, Athletic Bilbao, Porto, Universidad do Chile... A lista é longa. No Brasil alguns clubes voltaram com este ideal, mas pecam em alguns pontos.

O Internacional de Dorival Júnior pode ter base, elenco, estrutura e comando para iniciar este processo de renovação na proposta de jogo no país. Para colocar em prática os preceitos do futebol moderno: mais versatilidade, compactação e vocação ofensiva, menos especialistas e estrelas que pouco participam do trabalho defensivo.

Não basta por estes jogadores em campo para tudo fluir. É preciso treino em baixo de treino. Exercício de repetição. O sucesso deste esquema depende de um time bem organizado e que faça o jogo fluir, nada forçado.

Apenas um volante de origem, pode ser Guiñazu ou Sandro Silva. É arriscado? Sim, tudo dependerá da equipe. Este pode ser um dos problemas da equipe, basta treinar e contar com os homens de frente auxiliando na transição defensiva. Oscar seria o meia/volante box-to-box, definição de Educardo Ceconi: “Box-to-box é uma referência ao jogador que faz, no meio-campo central, o "vai-vem". Box significa área, em inglês, portanto a tradução é "de área a área". A definição é claríssima: o jogador que sem a bola posiciona-se defensivamente à frente da própria área, e quando a equipe recupera a bola aproxima-se dos atacantes, nos arredores da área adversária. Atuar nos dois campos é prerrogativa básica desta tática individual.”.

D’Alessandro é o que é hoje. Enganche, quem organiza ofensivamente a equipe, recua para o primeiro passe, avança para finalizar e lateraliza para cruzar ou fazer dobradinha com lateral. Basta o gringo estar nos seus dias.

Eis o sonhado tridente ofensivo colorado. Nilmar e Dagoberto pelos lados do campo e Leandro Damião centralizado. Nilmar e Dagoberto não seriam antigos pontas que jogam colados na linha procurado a linha de fundo. De forma alguma, mas sim, sairiam da mesma para o centro, ou jogariam do bico da grande área se movimentando para fora da mesma. Nunca deixariam Leandro Damião “solito” na grande área, isso não se faz com um centroavante de imensa qualidade. Já o camisa nove sabe sair da área, abrir espaços, criar pelos lados e jogar de costas.

4-2-3-1 com venda de Damião

Diagrama tático. Inter no habitual 4-2-3-1 com Nilmar no lugar de Leandro Damião.

Sim, pode acontecer. Inter estaria contratando Nilmar para repor a saída de Leandro Damião. Um reforça a altura.

Linha de defesa e meio campo seguiriam intactas. A grande mudança esta no ataque. A forma com que o Inter ataca tomaria outros rumos. Nilmar não é atacante de bola aérea, mas sim velocista, oportunista e precisa de lançamentos para ganhar do zagueiro na velocidade.

Oscar e D’Alessandro seriam os garçons de Nilmar, pois é característica de Nilmar atuar no limite entre posição normal x impedimento, é mestre em se posicionar assim e explora-lo é obrigação. O contra-ataque, com este esquema, deve ser mais utilizado. A movimentação entre meio e ataque ganharia com Nilmar, pois o atacante sai da área e busca o jogo, tem vitoria pessoal e abre espaços para quem vem de trás.

Seria outro Inter com apenas uma troca de jogar, mas com características completamente diferentes. Damião é jogada de pivô, bola aérea e trombando com zagueiros; Nilmar é velocista, driblador  e mesmo na referencia com intensa movimentação. Talvez algo eles possuam em comum, o oportunismo, sempre estão na hora certa e no local certo para fazer gols, o chamado “faro de gol”.

O desenho segue o mesmo de hoje, mas o estilo proposto à estratégia de jogo deve mudar.

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Palmeiras no hibrido 4-3-1-2/4-2-3-1


Felipão não abre Mao de seu hibrido 4-3-1-2/4-2-3-1. O time segue dependente de Marcos Assunção na bola parada. O repertorio de jogadas segue limitado, pode se contar nos dedos o quão previsível se tornou o time de Felipão. A primeira ordem é defender para só depois começar a tramar alguma jogada ofensiva.

Diagrama tático. Palmeiras no 4-3-1-2/4-2-3-1.

Palmeiras teve uma incrível dificuldade em sair jogando e desenvolver suas jogadas. Transição ofensiva era dependente de Barcos. Como todo time estava recuado marcando, Barcos ficava próximo ao meio campo, logo após a bola ser recuperada a mesma era lançada ao centroavante. Barcos fazia parede, porém, sucumbia à marcação tricolor, não existia aproximação dos companheiros. Não havia retenção de bola ofensiva, era o famoso bate-volta.

Felipão logo percebeu que Fernando estava solto para o primeiro passe e, colocou o jovem Felipe para importunar o volante tricolor. Fernando avançava e levava consigo a “marcação” de Felipe, quando o Palmeiras recuperava posse de bola seu articulador central estava deslocado e longe da sua posição de origem.

Se defendendo o time se postava no 4-3-1-2, atacando o time contava com uma linha de três mais avançada. O time se postava da seguinte maneira: Um lateral recuava formando sobra defensiva ao lado dos dois zagueiros – Leandro Amaro e Henrique; lateral apoiador livre para subir; tripé de volantes se desfazia, João Vitor avançava se tornando winger pela direita, Marcos Assunção e João Vitor ficavam como volantes, recuados frente aos três defensores; linha de três no meio contava com Felipe centralizado, Luan recuando pela esquerda e atuando na ponta e João Vitor na direita; O centroavante Barcos à frente. O time atacava no lado em que se encontrava o lateral apoiador, não existia inversão de jogadas. Com wingers de “pés certos” o apoio do lateral ficava prejudicado, pois sua faixa de campo já estava sendo ocupada. Segunda bola ou rebote ofensivo nunca ficou com o Palmeiras, pois seus volantes recuados não tinham interesse nesta bola, a ordem era recuar e não correr riscos.

Transição ofensiva Palmeirense constava com um dos laterais basculando ao centro e formando um sobra defensiva. No frame abaixo, Leandro Amaro na sobra, Henrique e Cicinho com atacantes. Um lateral fica livre para apoiar, tripé de volantes se desfaz com João Vitor indo a frente e compondo tridente ofensivo com Felipe e Luan.

Flagrante tático. Palmeiras em transição ofensiva com Cicinho basculando e formando sobra defensiva. Fernandinho livre para apoiar e losango sendo desfeito com apoio de João Vitor.

Eis as principais armas do Palmeiras:
·        - Bola parada com Marcos Assunção seja de onde for
·        - Linha de fundo com Luan, o ponta sempre levara a bola em velocidade pela esquerda.
·        - Pivô próximo à área com Barcos. O centroavante gira sobre marcação ou faz parede chamando aproximação.
·        - Velocidade no segundo tempo com Maikon Leite.

Flagrante tático. Palmeiras atacando com seus usuais cinco jogadores. Lateral apoiador - Fernandinho -, trio de meia e o centroavante Barcos.

Defensivamente o time paulista se posta no 4-3-1-2. Não há pressão no campo do adversário para recuperar posse de bola. Dez jogadores ficam postados atrás da linha do meio campo: primeira linha defensiva, dois laterais e dois zagueiros; tripé de volantes, Marcios Araujo centralizado, João Vitor pela direita e Assunção na esquerda; articulador central – Felipe - e Luan recuando pela esquerda. Primeira linha defensiva somada ao tripé de volantes congestionam entrada da área.

Transição defensiva se mostrou efetiva pelo lado esquerdo com Luan auxiliando a Assunção, Fernandinho e Henrique na marcação. Pelo lado direito, João Vitor, Cicinho e Leandro Amaro foram envolvidos por Léo Gago, Pará e Miralles – enquanto esteve em campo. No segundo tempo Felipão prendeu Cicinho, o lateral apenas marcou e os problemas defensivos foram solucionados, porém não houve passagens do lateral.

Enquanto Marco Antônio esteve em campo o Palmeiras soube lidar com o Grêmio. O articulador central do tricolor era previsível em seus movimentos, não recuava para armar, preferia aproximar pelo centro dos atacantes, porém, o centro estava congestionado. Quando Rondinelly entrou, novamente o Palmeiras se perdeu na marcação pelo lado direito. O meia tricolor é habilidoso e no mano-a-mano teve vitoria pessoal. Com melhor movimentação o Grêmio marcou, curiosamente em bola parada. 

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As faces do Inter contra Flamengo


Inter e Flamengo fizeram um jogo repleto de surpresas. A começar pelos erros defensivos de ambos os times, passando pelo placar elástico e chegando a desavença entre Dorival Junior e, um dos melhores jogadores em campo, Fabrício. O jogo terminou empatado, três gols para cada lado. O empate saiu com gosto de derrota para o Flamengo e, para o colorado, com gostinho de vitoria.

Dorival Junior tinha de montar um time em meio a desfalques. Armou um 4-4-2 abrasileirado, se preferirem, 4-2-2-2. Surpreendentemente o treinador pôs Josimar, volante de origem, como meia ao lado de Datolo. Mesmo contando com, supostos, três volantes o Inter, tinha e tem problemas defensivos. A velha bola aérea novamente voltou à tona, Índio errando bisonhamente e uma linha, burra, de impedimento no terceiro gol carioca.

Flagrante tático. Inter no 4-2-2-2

Diferente do que se imaginava o Inter não foi ao Rio se defender. Jogou equilibradamente tentando tocar a bola e encontrar espaços.

Inter possuía um esquema ao atacar e outro ao defender. Transição ofensiva 4-2-2-2 com meias atuando próximos, mas não interagindo entre si e, sim com laterais que faziam passagem. Atacando preferencialmente pela esquerda com Datolo e Fabrício. Para equilibrar o lado direito, Dorival jogou Dagoberto por aquele lado, juntamente com Josimar e Nei. Ressalto que o lado direito foi mais discreto pelo fato de Ronaldinho jogar as costas de Nei. Datolo foi quem regeu o Inter, se movimentou, quebrou marcação do Flamengo e abria espaços partindo da esquerda. Josimar sumido do jogo e contribuindo mais defensivamente, pois fechava o lado em que Magal apoiava e ainda auxiliava a Nei na marcação. Volantes nada auxiliaram ofensivamente, ficaram postados na linha divisória do meio campo e apenas trocavam passes laterais, Elton quem cobria o lateral apoiador. Com meias sobrepostos aos volantes o caminho foi fechado aos mesmos, assim Guiñazu e Elton ofereciam subsídio para os laterais apoiarem, alternadamente.

Transição defensiva. Inter se postava em duas linhas, 4-4-2 tipicamente inglês, para bloquear apoio dos laterais da seguinte maneira: primeira linha intacta, dois zagueiros e dois laterais; meio campo que era em quadrado passa a ser em linha, meias abrem e fecham corredor do lateral, volantes intactos; atacantes jogando em cima dos zagueiros para força-los ao erro. Naturalmente Josimar tinha maior poder de recomposição que Datolo, pode se confundir um losango, porém Datolo fecha o corredor mais adiantado. Acredito que Dorival optou por Josimar na direita para frear a dupla Magal e Ronaldinho, assim o setor direito de marcação contava com o lateral Nei, volante Elton e o “meia” Josimar.

Flagrante tático. Inter sai do 4-2-2-2 e adota em fase defensiva o 4-4-2 em duas linhas.

Logo o Inter demonstrou alguns problemas. Quando a zaga era pressionada faltava saída de bola, zagueiros eram obrigados a rifar a bola ou recuar a Muriel. Em uma destas blitz cariocas, Indio se perdeu e fez pênalti em Vagner Love. Outro problema, mas desta vez corriqueiro foi a volta da bola aérea, porém, deve ser posto na conta do desentrosamento.

Previsível, mas sem marcação. Assim o Inter se aproveitou da ingenuidade rubro-negra. Datolo e Fabricio faziam dobradinha pelo lado esquerdo, Kleberson não conseguiu para-los e tão pouco auxiliar Léo Moura. A grande dificuldade do Inter era ter imposição ofensiva, pois Gilberto esta longe de ser Damião, não conseguiu fazer pivô, fez o gol, mas deve muito a Fabricio e Datolo.

Segundo Tempo. A mudança

Dorival mudou logo no intervalo. Sacou Josimar e pôs Maurides, garoto de 19 anos e centroavante de força física. A saída de Josimar se explica perfeitamente pelo fato do Flamengo não atacar com Magal e, pelo mesmo Josimar ser nulo ofensivamente. O Inter passou a jogar entre um 4-2-2-2/4-3-3. Dagoberto era o coringa entre esquemas, ora atacante pela esquerda, ora meia pela esquerda. Maurides e Gilberto os atacantes de área, sendo que, Maurides pendia mais a direita. Datolo a frente dos volantes Guiñazu e Elton. O Inter voltou melhor, porém, seguia com o mesmo problema, não conseguia finalizar.

Flagrante tático. Inter no 4-2-2-2.

Defensivamente o Inter continuava o mesmo do primeiro tempo. Volantes cobrindo o apoio do lateral. Ofensivamente o Inter pendia para esquerda com Datolo, Dagoberto e Fabricio.

Datolo seguia o homem de referencia para o passe colorado e, ainda assim sem marcação rubro-negra. Ou talvez, com marcação, mas conseguindo se desvencilhar da mesma.

O gol parecia questão de tempo, Inter pressionando, maior presença ofensiva. Porém sem finalizar ou criar chances de gol. O Flamengo por sua vez era sorrateiro e novamente se aproveitou de erro colorado. Fabrício não acompanhou Léo Moura, Nei deixou Vagner Love em posição legal, Vagner girou sobre Moledo e marcou o terceiro gol carioca. Parecia tudo perdido, a final 3x1 fora de casa parece irreversível.

Dorival novamente mexeu desta vez logo após sofrer o gol, aos 15 do segundo tempo. Sacou Gilberto com pouca presença ofensiva e colocou Marcos Aurelio. Inter voltou ao seu esquema habitual. O 4-2-3-1 estava em casa. Vale ressaltar que independe dos jogadores em campo, este esquema esta nas entranhas dos jogadores, eles possuem leitura das posições e movimentos a fazer e assim cumprem. Neste 4-2-3-1 é de suma importância a movimentação da linha dos três meio campistas, e posso dizer que Marcos Aurelio-Datolo-Dagoberto confundiram marcação e a este analista em relação ao posicionamento de cada um deles. Sem contar que agora o Inter possuía um centroavante de referencia e com porte físico para tal, Maurides segurava marcação e girava sobre seu marcador. Garoto de personalidade.

Flagrante tático. Inter no 4-2-3-1.

Novamente o lado esquerdo. O Inter é um time trocador de bolas, não pode se render ao chutão ou ligação direta. O passe curto, a procura por espaço pelas laterais do campo já é característica deste estilo proposto por Dorival. O Flamengo seguia a ceder espaços ao Inter, o colorado dos pampas mais agressivo decidiu aproveita-los. Sem conseguir penetrar na grande área, Fabrício resolveu arriscar de fora da área e acertou um belo chute cruzado, indefensável. O Inter descontava, 3x2.

Não bastava, o empate tinha de ser alcançado. A marcação apertou sobre os jogadores do Flamengo, a retomada de bola tinha de ser rápida para ser jogada aos homens de frente. O Inter acumulou contra-ataques desta maneira, desarmando e jogando em velocidade a frente. E, não poderia sair de outra maneira a não ser em contra-ataque e dos pés de outro jogador a não ser Datolo. Ronaldinho recebeu na esquerda, Elton logo grudou no gaucho e limpo o desarmou, a bola sobrou para Marcos Aurélio pegar o Fla desprevenido e logo tocar para Datolo, o argentino driblou seu marcador e logo desferiu um belo chute, de fora da área, no canto de Paulo Victor. Estava tudo igual, 3x3.

Após o gol de empate o Inter murchou. O time gaucho ainda contou com a sorte de Joel Santana mexer de maneira equivocada no seu time, ao invés de acelerar o treinador cadenciou. Dorival recuou sua equipe e sequer tentava explorar contra-ataques, a ordem era manter o 3x3.

O Inter volta do Rio de Janeiro com um ponto milagreiro, pois com os desfalques muitos davam este jogo como perdido. Resta saber se Dorival irá punir de maneira severa o lateral Fabrício, esperamos que não.

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A despedida de Pep Guardiola marca o fim de uma era



A despedida de Pep Guardiola marca o fim de uma era
Acabou. O time que encanta o mundo há quatro temporadas chegou ao fim de um ciclo. E não poderia encerrar este ciclo de uma forma melhor: com um título. Títulos, aliás, viraram uma especialidade desta equipe. Durante o período em que Pep esteve à frente do clube, o Barcelona conquistou 14 títulos de 19 possíveis, ou seja, três quartos de todas as competições disputadas. Vamos ao último deles:

4-3-3. Com triângulo de base alta no meio-campo.
O Barcelona entrou em campo no já tradicional 4-3-3 variando para um 3-4-3. Trocas constantes de posição, mudança de esquema tático, pressão alta, posse bola absurdamente superior ao adversário, enfim, todas as características que caracterizaram o Barcelona de Pep estiveram presentes na partida.

O goleiro foi o reserva Pinto, já tradicional nos jogos da Copa do Rei.

A defesa contou com Montoya, jogador do Barcelona B, na lateral direita, Pique e Mascherano como zagueiros e Adriano na lateral esquerda. Como já foi feito em várias partidas durante a temporada, Busquets recua entre os zagueiros, Pique e Mascherano abrem pelos lados, liberando os dois laterais para o apoio simultâneo. Esses movimentos acabam dando um novo formato à equipe catalã, o 3-4-3 que pode ser visto na imagem abaixo.

Busquets recua e os laterais avançam, formando o 3-4-3.
O meio-campo formado pelo trio Busquets, Xavi e Iniesta comanda a articulação da equipe com maestria. Xavi e Iniesta atingiram um entrosamento fantástico com Guardiola, que fez destes dois jogadores figuras constantes na escolha de melhor do mundo da FIFA.

O ataque tem Messi, outro grande achado de Pep. Com o treinador, Messi passou a atuar centralizado, na função que se convencionou chamar de “falso 9”. Com liberdade para movimentar-se, voltando para articular e servir os companheiros, chegando à frente para receber o passe dos meias e entrando a dribles, enfileirando os defensores adversários e sendo o maior artilheiro da história em uma única temporada com 78 gols (73 pelo Barça e 5 pela Seleção Argentina), superando os 77 de Pelé em 58.

Pedro e Alexis Sánchez jogaram pelos lados do ataque, Pedro mais pela direita e Alexis na esquerda, mas era comum que eles trocassem de posição entre si e com Messi também. Ambos faziam as diagonais que faltaram ao Barcelona neste final de temporada, chegando para finalizar ou servir Messi.

Há de se destacar também a forte marcação ainda no campo de ataque, outra característica trazida por Pep. A pressão sobre a defesa adversária é constante, focando o adversário a dar um chutão para o campo de ataque. A disposição de todos jogadores da equipe para a marcação também contribuiu para o show visto em Madrid.

Aposse de bola esmagadora, que faz qualquer adversário parecer uma equipe de várzea, foi determinante mais uma vez. O toque paciente, com calma e classe, buscando uma abertura na defesa adversária para infiltrar que garantiu que a equipe tivesse maior posse de bola que o adversário em todos os jogos da Era Guardiola.

Parabéns ao Guardiola por montar um time inesquecível. Um time que fez Real Madrid, Milan Inter, Chelsea, Manchester United, Santos, Estudiantes e tantas outras grandes equipes do futebol mundial jogarem como equipes fracas, impotentes ao poderio ofensivo catalão. Um time que se ousou comparar ao Santos de Pelé, à Seleção Brasileira de 70 e à Holanda de 74. Um time que nunca sairá da memória de quem realmente gosta de futebol.

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Bahia no 4-3-2-1 arvore de natal


A missão do time Baiano não era impossível, porém, complicada ao extremo. Não bastava uma simples vitoria e sim, dois gols marcados. Falcão foi o oposto de si mesmo perante o ultimo jogo. Se na Bahia o time jogou retrancado, em Porto Alegre, ele abriu seu time e atacou, é bem verdade que sem sucesso algum, mas tentou.

Na partida de volta entre Grêmio x Bahia, Paulo Roberto Falcão manteve o esquema da segunda etapa. Abandonou o 4-4-1-1 e assumiu de vez o 4-3-2-1 arvore de natal. O Bahia claramente jogou em Porto Alegre sem nada a perder, jogou e deixou jogar. Falcão apenas se perdeu ao não escalar um centro avante de referencia, Ciro sucumbiu perante os zagueiros.

Flagrante tático. Bahia no 4-3-2-1 arvore de natal. Tripé de volantes, dois wingers e centroavante.

Falcão foi campeão estadual com um futebol no mínimo razoável. Porém, é de conhecimento geral que, campeonato estadual é engana bobo, vence-lo é obrigação.

Falcão mudou por completamente a estratégia de jogo. Se na Bahia o treinador jogou de forma cautelosa e explorando contra-ataques, em Porto Alegre, liberou o time para ir à frente com dois meias encostando em Ciro para, supostamente, pressionar o Grêmio. O time sentiu falta de um jogador de imposição física à frente, pois não havia retenção de bola ofensiva, era bate-volta.

Algo se fez notar no decorrer da partida e claramente tinha o dedo do treinador e seu auxiliar Julinho Camargo. Bahia com um esquema atacando e outro defendendo, ou seja, transição ofensiva e defensiva.

Transição defensiva contava com sete jogadores defendendo e agrupando-se frente à meta de Marcelo Lomba. Algo típico de Falcão, pois o treinador, na fase defensiva, compacta o time, aproxima as linhas e tenta fechar espaços. O tridente ofensivo, Lulinha, Magno e Ciro não auxiliavam na marcação, ficavam postados à frente, abertos e prontos para armar o contra-ataque. Posicionamento defensivo efetivo com uma primeira linha de quatro e a sua frente um tripé de volantes.

Flagrante tático. Bahia em posicionamento defensivo com primeira linha de quatro e a sua frente o tripé de volantes.

Na transição defensiva ainda podemos notar outra variação. Bahia espelhando o esquema do tricolor com meio campo em losango. O tripé de volantes se mantinha, o simples recuo de Magno já formatava este losango. Acredito eu que, Magno recuava para frear a distribuição de jogo de Fernando.

Por vezes este 4-4-2 losango se mantinha em transição ofensiva. Magno era o meia a frente do tridente de volantes, mas sem ser criativo, apenas um condutor. Lulinha o atacante de velocidade caindo pelos flancos e Ciro o “centroavante”.

Flagrante tático. Bahia espelhando losango do Grêmio.
Bahia quebrava muito a bola – no sentido de perde-la ingenuamente -, time sem qualidade no passe. Ao errar passes na transição defensiva-ofensiva o Bahia oferecia o contra-ataque ao Grêmio. Alem de pegar sua equipe desprevenida a transição era lenta, pois jogadores já estavam posicionados mais a frente.

Transição ofensiva deixou muito a desejar. A começar pelo “lateral” direito Fabinho, volante de origem, improvisado na lateral, não chegou à linha de fundo. Meio campo não conseguia fluir as jogadas, pois errava muitos passes, sejam eles laterais ou à frente. Time dependente de Gabriel e consequentemente pendendo a direita, inicialmente surpreendeu o Grêmio, mas com o passar do tempo à jogada se tornou manjada. Os dois wingers não tiveram vitoria pessoal sobre volantes e/ou laterais tricolores. Magno e Lulinha jogaram em uma faixa de campo muito recuada e distante de Ciro. Magno pela esquerda jogou por dentro e fazendo diagonal, Lulinha mais colado a linha e, igualmente cortando para dentro. Ciro jogou isolado e entregue a marcação dos zagueiros, Ciro não tinha imposição física para fazer pivô. Setor de ataque não segurava bola para apoio de meio campo.

Com bola o time formava duplas ao atacar, na esquerda com: Gerley e Magno. Na direita com: Gabriel e Lulinha. Fahel ficava preso frente aos zagueiros. Helder revezava com Gerley no apoio.

Transição ofensiva era com passe acelerado pelo chão. Sempre pelo centro, seja com volantes iniciando as jogadas, ou, meias/atacantes infiltrando pelo centro. Acredito que este foi um agravante da falta de oportunidades criadas pelos Bahia, a falta de exploração do flanco. Bahia se tornou um time previsível e sem retenção de bola no ataque.

Falcão parte de uma equipe compacta. A ideia é facilitar as trocas de passes curtos e evitar que os jogadores percorram grandes espaços de campo, desgastando-se sem necessidade.  Nesta partida, não obteve sucesso.

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Análise Tática - Santos 1(4) x 1(2) Velez Sarsfield - A Tática quase perfeita, foi desmoronada pela loteria.


Texto de Rai Monteiro, do blog Taticamente Falando.


Pênalti é sorte ou competência (?). Essa discussão será eterna, mas é bem verdade que o Santos não desempenhou o futebol que o consagrou, ontem na Vila Belmiro, o Velez se aplicou e com louvor no quesito marcação. Principalmente a Neymaro camisa 11 do Santos não teve espaço e nem sossego, mas na única vez que deixaram o craque santista livre, e Ganso acertou o lançamento e Barovero foi expulso por fazer falta na joia.

PeruziCubero e Fernandéz fizeram um "triângulo" de marcação em NeymarFernandez dava o primeiro combate, se passa-se a missão era de Cubero e Peruzi, o último citado, foi o melhor em campo, anulou e muito bem Neymar.

Só que a forte marcação, também se distribuía perto de Elano e Ganso, os outros responsáveis pela armação Santista, Cabral colou em Elano e Zapata em Ganso. Só que o Velez também jogou em função do ataque, com a bola, avançava seus pontas e movimentava bem seus atacantes confundindo a marcação da zaga do time da Vila.

Ao Santos faltava um toque de bola mais rápido, mais envolvente, mais avanço dos laterais. Ricardo Garecaarmou um time quase perfeito para levar a classificação para a Argentina, conseguiu anular a principal peça santista, e mesmo quando perdeu Barovero e sacou um atacante para colocar outro goleiro, parecia ter o controle do jogo. 

O Triângulo imaginario em volta de Neymar no 4-4-2 bem aplicado do Velez, o Santos no seu 4-2-3-1 não teve espaços e incisividade no toque do bola.

O Segundo tempo, diferente do que era esperado, começou com um Velez melhor, com Fernandéz e Obolotendo boas e claras chances de gol. Tudo mudou quando Muricy colocou Renteria no jogo, adiantou sua última linha de marcação e foi pra cima, povoou a área do Velez, reposicionado no 4-3-3.
Começou um bombardeio Santista, que fez Montoya se tornar em uma das figuras do jogo.

Sem opção Gareca recuou seu time no 4-4-1, com duas linhas de forte marcação, mesmo dos alas que em tese são mais ofensivos, Martinez foi a única esperança de acertar uma bola "vádia" no ataque. O Gol queKardec perdeu e Montoya salvou aos 30' deixou o torcedor do Santos angustiado, pois o Velez não dava brechas.

Então Muricy colocou Léo, o jogador que mudou o jogo, Juan que nada havia jogado foi sacado, o Santos não conseguia chegar ao fundo, graças a forte marcação daquele lado sobre Neymar, então não sobrava espaço. Léo conseguiu uma tabela com Ganso e a infiltração no meio da defesa Argentina para fazer o passe em direção de Alan Kardec que se redimiu e marcou o gol salvador.

Santos no 4-3-3 e Velez com um a menos no 4-4-1.

 O Confronto entre Corinthians e Santos será de times bem diferentes, ambos tem 2 semanas para se armarem e prepararem para o confronto que estrara para a história do futebol nacional.

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Análise Tática – Fluminense x Boca Juniors, a eliminação.


“Pra que mentir
Fingir que não acabou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou”

Adaptação a musica, Beija-flor, de Cazuza que pode refletir a eliminação do rubro negro carioca.

Clubes cariocas estão eliminados da Libertadores. No inicio da noite de quarta feira o plantel milionário do Flu caiu perante o temido Boca Juniors. A torcida do pó de arroz não saiu vencedora. Tudo ia bem para os cariocas, Riquelme anulado, Boca sem chances e Flu levando partida para os pênaltis. Mas, no final do jogo, aos 45 minutos do segundo tempo, Riquelme lançou Rivero, este adentrou a área com a bola e finalizou. Cavalieri rebateu e a bola sobrou para Santiago Silva, apagado ate então, que deixou tudo igual e finalizado no Engenhão. O 1x1 desolou torcida e comissão técnica.

Abel Braga possui um repertorio interessante de sistemas para por em pratica, isso que o chamavam de limitado e treinador boleiro. Pois bem, Abel nos surpreendeu em um 4-3-2-1/4-3-3, diferente de tudo que vinha sendo aplicado. Jogou com um tripé de “volantes/meias” frente a área e dois meia encostando no atacante.

Flagrante tático. Fluminense no 4-3-3 em fase ofensiva.

Falcione, diferente de Abel, não modificou em nada seu time. Alias, recebeu criticas por começar o jogo com Cvitanich, muitos preferiam Mouche. Mesmo 4-3-1-2, porém, recuado, acuado em seu campo, oferecendo posse de bola ao Fluminense e tentando, apenas tentando, encaixar um contra-ataque. A proposta argentina saiu vencedora, graças a UM lance aos 45 minutos do segundo tempo.

Flagrante tático. Boca recuado em seu campo no 4-3-1-2.

Abel não só mudou seu esquema de jogo, como também o estilo da equipe. Fluminense não contou com Deco e Fred para esta partida. O que fez Abel? Neste 4-3-2-1 em transição ofensiva os meias avançavam e se tornavam atacantes ao lado de Rafael Moura. Os dois “volantes” se transformavam em meias apoiadores. Passagem livre para laterais apoiaram e subirem o flanco, porém sem apoio algum dos atacantes que estavam centralizados esperando o cruzamento. Enfim, Fluminense com posse de bola, mas sem criatividade alguma não criação de suas jogadas, o Flu era previsível, pois sempre jogava pelos lados do campo procurando o cruzamento. Esta previsibilidade facilitou a marcação do Boca.

Boca não só defendeu por opção, mas pela marcação adiantada do Fluminense. Transição defensiva carioca foi diferente de comum brasileiro. Equipe marcando adiantada e no campo do Boca, pressionando quem estava com bola e forçando o adversário ao erro. Flu com maior volume de jogo, marcação surpreendendo o adversário e ganhando o meio campo. Edinho foi à carta na manga de Abel para anular Riquelme e, assim o fez até os 45 da segunda etapa. Com Flu jogando no 4-3-2-1 o encaixe de marcação foi facilitado: Thiago Carleto em Cvitanich, dupla de zaga com Santiago Silva e Bruno solto; Edinho em Riquelme, Jean sobre Erviti e Wagner com Rivero , eis outro trunfo de Abel, quando o time perdia a bola, Rafael Sóbis ou Thiago Neves recuavam para marcar Erbes e assim dificultar saída de bola; Rafael Moura ficava com zagueiros. Boca defendia com SETE jogadores agrupados em seu campo, apenas Riquelme e a dupla de atacante não auxiliavam defensivamente.

Boca ofensivamente deixou a desejar durante boa parte da partida. Riquelme não conseguia desvencilhar de Edinho. Cvitanich não foi o atacante de velocidade que a equipe carece em seus contra-ataques. Clemente Rodriguez quando apoiou deixou espaços as suas costas e Roncaglia foi lateral base, pouco, ou melhor, nada contribuindo ofensivamente. Os volantes “carrilleros” não conseguiram marcar seu “trilho” no Engenhão, estiveram entregues a marcação carioca. Santiago Silva tinha de se virar contra Anderson e Gum, o centroavante não recebia bola nos pés, mas sim chutões e bolas rifadas a frente sem direção alguma.

Segundo Tempo

A partida seguia com mesmo ritmo. Fluminense dominando e Boca sendo dominado.

Para mudar o pragmatismo do Boca, Falcioni pôs em campo a velocidade que o time argentino necessitava. Foram a campo o atacante Mouche e o volante Miño, saíram Cvitanich e Erbes. Nada mudou em questões táticas, 4-3-1-2 seguiu. Porém finalmente a velocidade com Mouche, volantes mais liberados e o Boca se aproveitando de um Fluminense mais aberto.

Flagrante tático. Boca no 4-3-1-2 no segundo tempo.

Abel Braga mudou e saiu do 4-3-2-1 para o 4-2-3-1. Entou Wellington Nem no lugar do exausto Wagner. O clube carioca perdia em consistência, mas ganhava em velocidade e finalmente um articulador central, Thiago Neves. O treinador voltou ao habitual esquema, mas este era um ponto de partida. Defendendo a equipe seguia no 4-3-2-1, mas agora era Thuago Neves quem recuava junto aos volantes. Thiago sem a mesma eficiência defensiva que Wagner.

Flagrante tático. O tendão de aquila do Fluminense. Thiago Neves não respondeu bem sendo volante no 4-3-2-1 em fase defensiva.

Sem mudar esquema o Boca mudou atitude com seus jogadores em campo. Riquelme finalmente conseguiu sair da marcação de Edinho. Os carrilleros tiveram maior espaço com o Flu no 4-2-3-1 e assim marcaram seu trilho. O Boca passou a fazer o que sabe de melhor. Jogar pelos lados em velocidade contando com a genialidade de Riquelme.

O time argentino formava pequenos grupos pelos lados do campo, na direita o carrillero Rivero e Mouche. Na esquerda Clemente Rodriguez e Miño. Riquelme flutuava pelo meio campo fornecendo e abastecendo estes pequenos grupos e eles a Santiago Silva. Erviti passou a ficar centralizador e dar maior qualidade ao passe.

O Fluminense não encaixava mais a marcação no Boca. Thiago Neves ate recuava para compor meio campo, mas sem qualidade de um defensor. Com bola o time carioca levava perigo, porém sem a mesma, era ele quem sofria.

Resultado das mudanças? Boca livre para saber o que faz de melhor. Contra-atacar em velocidade pelos lados do campo. O gol saiu aos 45 minutos e calou o Engenhão por inteiro.

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Luxemburgo poupa jogadores e esquema


Primeira rodada do campeonato brasileiro e times recheados com jogadores ditos reservas. Vasco x Grêmio não fugiu a regra. O cruz-maltino carioca esta na briga pela Libertadores, o tricolor gaucho na Copa do Brasil. Não tiro razão de treinadores ou cartolas, pois perder um jogador dias antes de uma decisão pode ser um passo a frente em um precipício.

Luxemburgo não só poupou CINCO jogadores, mas também seu esquema. Até para não desgasta-lo, não torna-lo manjado e ter um leque de opções. Pois bem. Grêmio vinha jogando no 4-4-2 losango dependente de um único armador central. Neste domingo Luxa adotou o 4-4-2 brasileiro, ou, 4-2-2-2 e, 4-4-2 em duas linhas para se defender.

Flagrante tático. Grêmio no 4-2-2-2.

Tricolor se aproveitou do desentrosamento vascaíno e sempre dominou o jogo.

Mesmo com diferentes sistemas de jogo a filosofia se mantém, porém com dois meias na armação e “apenas” dois volantes. O estilo de jogo pelos lados do campo segue o mesmo.

Luxa montou um harmonioso 4-4-2 com duas versões. Com bola, o time se comporta com a seguinte maneira: linha defensiva de quatro jogadores, tendo um lateral apoiador e uma base – apoiando alternadamente; dois volantes alinhados – Vilson preso frente aos zagueiros e Fernando mais solto; dois meias em uma segunda faixa, ofensiva; um atacante de movimentação – Miralles -, jogando preferencialmente pela direita; e um centroavante –André Lima - de referência, apenas para bolas aéreas.

Transição ofensiva teve dois momentos distintos. Enquanto Marquinhos esteve em campo o Grêmio priorizava posse de bola e a tocava com calma, havia interação entre os setores do campo. Após lesão do mesmo, Rondinelly entrou, o time não manteve o mesmo ritmo, sem um pensador a equipe decaiu e os passes errados foram consequência. Independente do jogador em campo, bola sempre foi ao chão, o cruzamento só acontecia perto da linha de fundo. Presença ofensiva sempre com no mínimo quatro jogadores: meias – Marquinhos e Marco Antônio – e atacantes – Miralles e André Lima. Geralmente o time contava com um lateral e Fernando, o volante com maior presença ofensiva.

Flagrante tático. Grêmio no 4-2-2-2, Rondinelly ao perder a bola já voltando a recompor pelo lado.

Uma curiosidade em relação aos volantes. Vilson não participou ofensivamente, pouco tocava na bola, suas atribuições eram apenas defensivas. Fernando era o primeiro passador da equipe e tinha maior liberdade em relação a Vilson.

Se defendendo o time se agrupava e fechava espaços, ofensivamente era o contrario. Time postado no campo do adversário e ocupando espaços com jogadores de forma longilínea. As jogadas dependiam de pequenos blocos, sendo eles pelos lados do campo: direita, lateral – Edilson, meia – Marquinhos/Rondinelly – e atacante de movimentação – Miralles; na esquerda, lateral – Pará – e meia – Marco Antônio. Os meias atuavam centralizados e não interagiam entre si, Marquinhos, por exemplo, sempre auxiliava Edilson, já Marco Antônio...

O time naturalmente pendia para direita, pois havia mais jogadores por este setor. No lado esquerdo um agregado confundia as ações ofensivas. Pará é lateral esquerdo destro, não fez um cruzamento de linha de fundo sequer, pois necessita enquadrar o corpo e girar sobre o mesmo. Marco Antônio atuou mais centralizado e pouco interagia com seu lateral, assim Pará ficava sem companhia para trama de jogadas.

André Lima pouco/nada contribuiu ofensivamente. O centroavante não fez jogadas de pivô, se abstinha apenas em ficar na área esperando a bola aérea. Os cruzamente vinham apenas da direita com Edilson/Miralles.

Transição defensiva era de maneira rápida e organizada. Sem a bola, os meias abrem pelos lados, alinham-se aos volantes e, fecham passagem do lateral. Os atacantes geralmente não participam da transição ofensiva, em lance atípico, Miralles recuou. Corriqueiramente sem bola, o tricolor formava um 4-4-2 em duas linhas, nada brasileiro e muito britânico. Não há uma grande compactação entre linhas, pois segunda linha de quatro atuava mais adiantada bloqueando o meio de campo adversário. A ordem expressa era não deixar o adversário se aproximar do meta defendida por Victor.

Flagrante tático. Segunda linha de quatro do Grêmio.

Posicionamento defensivo efetivo era de oito jogadores: primeira linha somada à segunda, ambas em linha.

Recuperada a posse, imediatamente os meias tomavam seus posicionamentos centrais e à frente dos volantes. Os meias não recuavam para transição ofensiva, apenas atuavam em faixa mais adiantada do campo. Para bola chegar mais a frente, tudo dependia de Fernando e/ou laterais.

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Chelsea, um campeão diferente


A tão sonhada taça.


Não queira julgar o atual campeão da UCL de forma equivocada e ingênua. Este Chelsea de Di Matteo não chegou a final, do maior campeonato do mundo, por mero acaso, ou descaso da natureza, nada disso. Se desejar por a culpa na sorte, pois bem, ela só acompanha os vencedores, campeões e o clube inglês é o campeão de fato.

Vejo muitos não apenas jogarem palavras ao vento, mas afirmarem categoricamente que o Chelsea contou com mais sorte que juízo. Não creio. O time inglês eliminou Barcelona, um dos melhores, se não o melhor time de todos os tempos. Se não bastasse pegar o Bayern, para piorar, jogou na casa do seu adversário.

Acredito que esta rixa por ver o Chelsea campeão é por termos nos acostumados com o futebol de encher os olhos do Barcelona. Temos de aceitar o diferente. Futebol efetivo e jogado de maneira inteligente.

Di Matteo jogou a grande finalissima com três desfalques, o capitão John Tery, o destaque brasileiro Ramires e o volante/meia Raul Meireles. O treinador italiano mudou seu esquema, porém, continuou com sua filosofia e proposta de jogo. Saiu o 4-1-4-1 e entrou o 4-4-1-1, mudança sutil, mas que altera a maneira de como se defender e atacar.

Flagrante Tático. Chelsea no 4-4-1-1. Duas linhas recuadas dentro da área.

Não posso fugir da raia. Irei começar abordando o sistema defensivo dos ingleses. Di Matteo armou duas linhas tipicamente britânicas, compactas e sem deixar espaço entre si. Os zagueiros que tiveram de marcar Mario Gomez, o alemão estava em tarde pouco inspirada, pois o que distribuiu de caneladas foi brincadeira. Dois laterais presos à marcação e sempre sendo bombardeados por Robben e Ribéry. Wingers recuando e acompanhando lateral adversário, alem de auxiliar o próprio lateral de sua equipe na marcação. Os volantes presos ao centro, recuando para se aproximar dos zagueiros e não deixando Muller jogar pelo centro. Mata como o “1”, o elo entre meio de campo e ataque, atuou na posição em rende de melhor forma, centralizado e livre para se movimentar. Drogba o centroavante de referencia, tinha de se virar como podia, seja com bola no chão, aérea ou rifada. Mata avançava e aliava-se a Drogba no ataque para tentar diminuir a liberdade dos defensores alemães ao tocar a bola.

A transição defensiva inglesa era perfeita. A velocidade com que os wingers recuavam a sua posição original era estonteante. Propositalmente o Blues ofereciam a posse de bola ao adversário, recuavam suas linhas, agrupavam jogadores frente a sua meta, ocupavam os espaços e espreitavam um contra-ataque. Sincronia nos movimentos de retomada do 4-4-1-1, porque, ao tomar posse da bola o Chelsea adotava o 4-2-3-1 pelo simples avanço de seus wingers. Alias, ressalto que Ashley Cole e Bertrand nada contribuíram ofensivamente, porém, defensivamente, anularam a Lahm e Robben. O holandês marcado, acuado, sem um palmo de campo tinha que sair de sua posição original para encontrar espaço e mesmo assim sua situação pouco melhorava. Pela direita defensiva, Boasingwa contou com auxilio de Kalou na recomposição defensiva, ambos dão davam espaço a Ribéry e Contento. Outro fato, independente de flanco, o Chelsea não deixou Robben e Ribéry fazerem seu jogo vertical. Mikel foi o volante que bateu de frente com Muller, Lampard ficava pendia mais a esquerda e, atento as bolas roubadas para lançamentos.

Flagrante tático. Chelsea saindo do 4-2-3-1 para rapidamente recompor o 4-4-1-1. Em azul o 4-4-1-1 e em amarelo o 4-2-3-1 se desfazendo.

Felizmente Contento não é um grande lateral. O Chelsea não precisou se preocupar tanto com o italiano. Talvez se explique a liberdade de Kalou no apoio, pois na esquerda Bertrand estava preso e solicito a marcação.

Hipocrisia jamais. O Chelsea errou em diversos momentos ao ceder espaço a Mario Gomez. Parece que o clube inglês se preocupou em marcar tanto Robben, Ribéry e Muller que esqueceu o “9”. O centroavante não estava em seus dias, perdeu gols que não costuma perder. Mario jogou, propositalmente, sobre Cahill e teve vitoria pessoal sobre o atacante, seja girando ou abrindo espaço.

Não foram raros os momentos e, sim, corriqueiro vermos DEZ jogadores do Chelsea atrás da linha da bola, defendendo, fechando espaços, povoando a frente da área e com voracidade tentar recuperar a posse da bola. Até porque Drogba fez um pênalti, infantil estando onde não deveria estar. 

Flagrante tático. Chelsea no 4-4-1-1 com os dez jogadores no campo defensivo. Drogba recuando entre as linhas.

Transição ofensiva estava prejudicada, justamente por não contar com Ramires e Raul Meireles. Logo que os Blues recuperavam a posse de bola a mesma era lançada pelas laterais do campo, ou, ligação direta para Drogba à frente. O contra-ataque inglês não obteve sucesso. A grande arma do Chelsea foi à bola aérea, esta em oportunidade única aproveitada aos 43 minutos do segundo tempo. Drogba marcou desviando de cabeça após cobrança de escanteio.

O caneco cairia em boas mãos, independe do clube. Parou na Inglaterra, feliz Roman Abramovich que conquistou sua primeira Champions. Sorriso de orelha a orelha deve estar Di Matteo, o jovem italiano pegou o bonde andando, desacreditado e o fez campeão, merece os louros. Chelsea campeão em sua proposta de se defender e sair rápido em contra-ataque. 

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Boca Juniors, ao melhor estilo Libertadores


Este Boca Juniors não envolve, se quer encanta, mas possui algo que poucos times se dão ao luxo de ter. Alma copeira, estilo campeão e sempre cresce em momentos decisivos. Independente da competição, independente dos onze em campo, eles entram para saírem campeões.

O time pode não encantar, mas segue levando multidões a Bombonera. É bafo na nuca do adversário, palavrão ao pé do ouvido, pressão no juiz e apoiando o time em qualquer circunstancia.

Atualmente este Boca é pragmático e sorrateiro. Engana seus adversários ao não abafar em casa, mas fora de seus limites territoriais o contra-ataque se torna um bote certeiro sem chance de recuperação.

É funcional, tem camisa, é contragolpista. A cara do mata-mata.

Falcioni segue com seu 4-3-1-2. O time xeneize, porém, sentiu muito a falta de Santiago Silva no jogo aéreo. Assim como Ledesma na organização do meio-campo. O treinador optou por dois atacantes de velocidade que se mexeram durante toda partida para confundir marcação dos cariocas.

Flagrante Tático. Boca Juniors no 4-3-1-2.

Schiavi e Insaurralde podem não ser os melhores zagueiros, mas uma frase exemplifica muito bem esta dupla: “Zagueiro bom é zagueiro protegido, já dizia Figueroa, que dizia ser capaz de jogar até os 50 anos quando Caçapava rosnava à sua frente no meio-campo na década de 70.” Nesta partida o Boca inverteu o apoio intenso de seu lateral. Ao invés de Clemente Rodriguez subir, Roncaglia foi o lateral mais constante ofensivamente. Clemente ficava mais preso e se unia aos dois zagueiros na marcação.

Erbes foi o volante mais preso, protegendo a linha de defesa. Os carrilleros, Erviti e Rivero, pois fazem o vai-vem de uma área à outra, defendendo sem a bola e atacando com ela sobre um “trilho” imaginário. Erviti fez grande partida, sempre a segurança de um passe certo e sua movimentação auxiliava Riquelme na armação e aceleração das jogadas.

Riquelme é um caso a parte. Um enganche clássico e maestro deste Boca. Mesmo com Edinho grudado em seu calcanhar o camisa 10 xeneize se movimentou e abriu espaços. Parte do centro para as laterais, joga onde estiver a bola para auxiliar seus colegar e gerar vantagem numérica.

Diferente de outras partidas, Falcioni optou por dois atacantes de movimentação, pois não contava com Santiago Silva. Mouche pela direita e Cvitanich na esquerda jogavam em velocidade saindo do flanco e ingressando na área. Com Mouche a equipe ganha em jogadas laterais. Cvitanith, o Boca ganha em objetividade e maior poder de finalização. Sem Silva o Boca perde em jogadas de pivô e bola aérea.

A transição defensiva é rápida agrupando jogadores em seu campo, recua e forma um ferrolho de sete jogadores defendendo – linha defensiva mais tripé de volantes. Riquelme e os dois atacantes pouco auxiliam na marcação, pois ficam postados a frente prontos para armar o contra-ataque.

Transição ofensiva é rápida e pelos lados do campo. Erviti e Riquelme organizam e procuram os passes laterais para acelerar o jogo. Se não encontram espaço para cruzar ou ingressar na área, o chute de longa distancia é explorado. Outra forte arma do Boca é a bola parada. Bem treinada e cheia de jogadas ensaiadas.

A principal arma do Boca Juniors é o contra-ataque. Assim que os volantes recuperam a bola, Riquelme, o articulador das jogadas ofensivas da equipe, é acionado para organizar o contra-ataque da equipe. 

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